Você precisa de um amor?
02-03-2011 21:36VOCÊ ME AMA?
Por Thiago Teodoro, extraído de seu blog: https://thiagoteodoro.wordpress.com/2011/02/26/voce-me-ama/
Nunca foi tão fácil estar em contato com pessoas do mundo todo, e as distâncias desse mundo nunca foram tão “pequenas” como hoje são. Fico imaginando a reação daqueles que nos antecederam se tivessem apenas
vislumbrado este mundo totalmente interligado em que hoje vivemos. Você pode escrever e ser respondido, falar e ser ouvido, ver e ser visto imediatamente sem, se quer, se levantar desta cadeira onde você está agora. Não é incrível tudo isso se comparado à realidade de poucos séculos atrás? Porém, se aqueles que nos antecederam tivessem vislumbrado a “pequena ilha” em que o mundo se tornaria, se decepcionariam com a grande ironia que vivemos. Porque o objetivo das relações interpessoais não é plenamente alcançado se essas relações não satisfazem.
O que nos distancia de conhecer e manter contato com uma quantidade quase infinita de pessoas são apenas alguns toques num teclado confortável e disposto bem à nossa frente. No entanto, as pessoas da nossa geração continuam tão carentes de emoções (e de respostas às suas próprias emoções) quanto aquelas que viveram num mundo assustadoramente limitado, se comparado ao nosso. É realmente irônico, não? Tenho observado tudo isso e concluo que somos necessitados de algo que não podemos encontrar nas multidões que estão à nossa disposição, em contatos superficiais e nos grupos sociais em que as pessoas são reduzidas a papeis já estabelecidos de uma grande peça. A natureza que recebemos nos condiciona a completar-nos apenas quando encontramos isto: amor!
Onde está a ruptura nesse “cabo” pelo qual deveríamos mandar e receber o que necessitam e o que necessitamos ao apenas nos conectarmos com as tantas pessoas selecionadas e disponíveis em nossos canais de comunicação? Talvez a ruptura esteja no fato de a maior parte do que damos e recebemos nesse mundo vasto e moderno da comunicação ser apenas superficial e descompromissada, enquanto nos iludimos ao crer que essa parte é verdadeira e suficiente. Assim, sempre fica a dúvida (para os dois pólos da comunicação estabelecida) se há ou não sentimentos verdadeiros. É aí que a dúvida incita as pessoas a questionarem: Você me ama? E, se restam dúvidas, então já não há confiança e, se não há confiança, também não pode haver realização e amor.
Não nos envolvemos com as pessoas (principalmente com familiares, amigos e cônjugues) apenas por necessidades de sobrevivência (como aprendemos, friamente, nas aulas de Sociologia). Nos estabelecemos como sociedade por causa, também, dessa nossa necessidade natural de dar e receber afeto, e é impossível concluir essa “transmissão” se o “cabo” possui a ruptura da superficialidade e do descomprometimento. Ninguém é capaz de enganar a si mesmo por muito tempo com a ideia de amar e de ser amado se não pode ousar a chamar este amor de seu!
Enquanto não podemos ver alguém como “nosso” ainda não há comprometimento e profundidade o suficiente nessa relação para que nos sintamos plenos. Quando dizemos MEU amigo, MINHA mãe, MEU pai, MINHA namorada, confessamos publicamente um vínculo – ainda que não coloquemos a palavra “amor” na mesma frase – e sem esse vínculo não é possível haver comunhão! Nada seria mais perfeito neste momento do que tomar o amor de Deus como um grande exemplo disso. Em Jeremias 33: 38 e 41 Deus diz isto a respeito do seu povo: “E eles serão o meu povo, e eu lhes serei o seu Deus; E alegrar-me-ei deles, fazendo-lhes bem; e plantá-los-ei nesta terra firmemente, com todo o meu coração e com toda a minha alma”. Observe que Deus não disse “eu amo o meu povo” mas ele disse “meu” povo, se apresentando como o Deus deles, e testificando do seu amor através da prática: “…fazendo-lhes bem”.
Uma das coisas incríveis na personalidade desafiadora de Deus, descritas nos textos bíblicos, é que, nem sempre, Ele se manifesta no nosso cotidiano dizendo “ei, eu amo você”, mas sempre demonstrando isso através de ATITUDES práticas. Só palavras não bastam para amar e não satisfazem as pessoas por muito tempo. Você pode estar cercado de pessoas que te amam, mas que não te dizem isso todos os dias, porque te amam de forma tão sincera que, naturalmente, darão amor a você através de suas atitudes. E, assim como precisamos reconhecer isso no amor de Deus, também temos que reconhecer isso no amor das pessoas para que saibamos que somos amados. Até mesmo porque a forma mais natural de Deus nos dar do seu
amor é através das mãos, do abraço, dos passos e dos olhares das pessoas que Ele coloca em nosso caminho. Neste mundo tão vasto de possibilidades para se comunicar e manter contatos a única forma de você se satisfazer como gente é preservando, sabiamente, o seu coração; sabendo reconhecer de onde vem amor de verdade pra você (independente se as pessoas estão, geograficamente, distantes ou se são aquelas que comem no “mesmo prato” todos os dias contigo).
A revelação apresentada em Colossenses 1:15 de que Jesus é a imagem visível do Deus invisível também nos ensina muito sobre essa maneira natural e prática como Deus tem nos amado e nos desafiado a amar os outros. Jesus não nos ensinou a amar encantando as pessoas com palavras, argumentos e promessas, mas nos ensinou a ter atitudes que testificam do nosso amor por elas. Jesus desafiou costumes e tradições de sua época por causa do seu amor pelas pessoas, se expôs ao perigo e à humilhação por causa do seu amor pelas pessoas e foi onde os outros jamais iriam, por causa do seu amor pelas pessoas. E o mais importante: Essas atitudes de Jesus, movidas pelo amor, mudaram a vida daquelas pessoas para sempre! O amor tem o poder de transformar, para melhor, a vida de quem o recebe. E, se damos amor, ainda que não o recebamos como uma contrapartida, ele não faltará dentro de nós, porque Deus sempre porá ao nosso lado alguém que nos ame. E ainda que esse alguém falhe em amar, Deus não falhará.
O amor de Deus para conosco é muito maior do que nossa mente limitada e nossa tradição e visão cultural pode entender. Acredito que grande parte da insatisfação que vivemos se deve ao fato de depositarmos nas pessoas uma responsabilidade a qual elas não podem assumir. Esperamos receber das pessoas um amor perfeito e que nos complete, mas isso é apenas utopia, porque ninguém pode dar aquilo que não tem! Amor isento de falhas é somente o amor que podemos receber de Deus ao deixarmos que Ele entre e faça morada em nós, porque Deus é o próprio amor (veja I João 4:8) e nós ainda estamos aprendendo a amar.
O amor que Deus nos oferece é tão sincero, incondicional, completo e inexplicável que nunca poderá ser superado ou retribuído de maneira justa. Quando eu estava compondo a música “A Graça”, que estará no nosso EP “A Experiência”, tentei espalhar essa idéia simples para as pessoas. Tenho visto muita gente procurando ganhar a atenção de Deus com suas obras, como se pudessem receber mais do amor e da graça dele por causa disso. Se esquecem de que tudo o que fazemos por Ele e para Ele é apenas uma forma prática de dizermos “obrigado” e “eu te amo”, mas não de negociarmos com Ele ou de pagá-Lo. Parte da composição de “A Graça” diz: “Jesus, eu não posso pagar o amor vertido ali. Se olharem para a cruz o áio cairá diante dela”.
Em João 21:15-17 o diálogo de Jesus com Pedro nos desafia a perceber a diferença do nosso amor, sujeito às nossas fraquezas, com o amor perfeito que Deus nos oferece. “Você me ama?” Essa foi a pergunta que Jesus fez, três vezes, para Pedro, deixando aquele discípulo triste por causa disso. Mas Jesus tinha um motivo especial para repetir essa pergunta e Pedro havia entendido o porquê disso. Oras, Pedro era o mesmo discípulo que, dias antes, havia dito para Jesus que não o negaria e que morreria com Ele se fosse preciso. “E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás” Marcos 14:30. E foi exatamente assim que as coisas aconteceram naquela noite. E quando Pedro negou Jesus publicamente por três vezes, por medo da dor e da morte, “o Senhor voltou-se e olhou diretamente para Pedro” Lucas 22: 62a. Você pode imaginar a dor que tomou conta do coração daquele homem ao ver o olhar silencioso de Jesus diante de sua traição? A Bíblia nos diz que Pedro chorou amargamente naquele dia. Não tenho dúvida de que Pedro amava a Jesus, mas naquele momento o amor humano falhou. E, nisso, eu e você não somos diferentes de Pedro.
O mais incrível em toda essa história é que, mesmo olhando para a fraqueza daquele homem, Jesus continuou a amá-lo e demonstrou isso claramente quando, dias depois, deu a ele a chance de apagar aquele passado com a oportunidade de cobrir com o amor cada uma das três vezes que ele, Pedro, o traiu, porque “o amor cobre todos os pecados” (veja Provérbios 10:12). O amor de Deus se manifestou tão grandemente diante de Pedro que, imagino eu, surpreendeu aquele homem e marcou a vida dele para sempre. Pedro podia estar temendo um discurso irônico e de decepção, mas, ao escutar do amor de Pedro pela terceira vez, Jesus demonstrar o seu amor de forma prática. Jesus mostrou para Pedro que, por mais que o amor humano fosse sujeito a falhas, o amor de Deus jamais mudaria por ele. E então Jesus lhe demosntrou perdão e confiança, dizendo: “Cuide das minhas ovelhas” (ver João 21:17).
Há alguns dias estive escutando e dando alguns concelhos para um amigo que tem passado por um momento muito difícil no relacionamento com sua mãe. Durante nossa conversa foi inevitável falarmos do amor de Deus. Então compartilhei com ele essa revelação grandiosa da Palavra de
Deus, a fim de transmitir esperança e paz: “Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti” Isaias 49:15. Há algo muito profundo sobre o amor de Deus quando Ele se apresenta como aquele que ultrapassa e supera o amor de uma mãe. A figura da mãe é o símbolo máxima do amor incondicional do ser humano. No entanto, ainda que uma mãe consiga rejeitar o filho que saiu do seu próprio ventre, Deus se apresenta como aquele que jamais se esquecerá daqueles que se tornam seus! Jesus disse: “Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” João 6:37. Sabe quando Deus desistirá de você? Nunca! A verdade é que somos nós que nos distanciamos dele e fechamos a porta do nosso coração toda vez que lhe dizemos “não” por não crermos no seu amor e capacidade.
Componho músicas desde meus 11 anos e essa sempre foi uma forma de me comunicar com Deus. Na minha adolescência enfrentei um momento onde precisei me agarrar ao amor e à compreensão de Deus com muita força. Me lembro de que, em um daqueles dias, fiquei sozinho no segundo andar da minha casa decidido a não sair dali enquanto não composse algo sobre o que eu estava vivendo. Então as palavras começaram a preencher as melodias, exatamente assim: “Na tua mão meu nome sempre está.” Essa era, aparentemente, uma frase simples, mas aquela era a minha confissão de fé no amor de Deus revelado em Isaias 49:16, onde Deus diz: “Eis que nas palmas das minhas mãos eu te gravei; os teus muros estão continuamente diante de mim”. Deus estava fazendo uma comparação do seu amor com um costume que havia na antiguidade, onde as mães tatuavam o nome dos seus filhos na mão, como um sinal de que nunca iriam poder se esquecer deles. A versão Reina Valera traduz essa passagem para o espanhol de forma a deixar isso ainda mais claro: “He aquí que en las palmas te tengo esculpida: delante de mí están siempre tus muros”. Para Deus, é como se meu nome e o seu nome estivessem esculpidos, tatuados, escritos, em sua mão, como um sinal do que nós significamos para Ele. Você sabia que o cristianismo é a única crença que apresenta Deus ao homem como um Pai? O amor fraternal de Deus - que equivale a esse amor de mãe - é a grande revelação do evangelho e da cruz de Cristo! Ele nos amou quando ainda eramos nada para fazernos filhos seus. “Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados”. I João 4:10
Este é o ser humano: carente de afeto, de amor, de contatos que tenham relevância, de vínculos que perdurem, dependente. E é nisso que está a nossa força: no que sentimos e podemos transmitir para as pessoas. Me lembro como me chamou a atenção uma cena que vi na animação “A Era do Gelo”, onde os animais discutem o potencial de defesa de cada animal. Ao olharem para uma criança, um humano, não encontraram, aparentemente, nada forte e único, até que a criança deu um abraço caloroso e voluntário em um daqueles animais e o fez sentir algo tão bom e que nunca havia sentido antes. Quero motivar você a prosseguir a sua vida em amor, por mais que isso possa ser desafiador e custoso. Ame as pessoas e receba o que, de bom, elas podem te dar. E lembre-se sempre disso: Para cada uma de suas fraquezas o amor de Deus te dará a oportunidade de recomeçar, te perguntando outra vez: Você me ama?
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