Introdução e Justificativa
Não é de agora que temos visto uma grande quantidade de filhos de pastores saindo da igreja, de ministério, de uma vida com Deus devido a experiências “traumáticas” vivenciadas durante o ministério de seus pais. Nos seminários, ensina-se a como administrar uma igreja, como cuidar de um rebanho, como ajudar as pessoas, como estudar a Bíblia, mas muitas vezes esquecem de observar que o pastor também tem uma família, e instruí-lo que é dentro de seu lar que ele encontrará o seu primeiro rebanho.
“Eu sou filho? Eu sou ovelha? eu sou filho de pastor?” “Nem sempre posso chegar ao meu pai porque ao invés dele posso encontrar um pastor, e nem sempre posso chegar no meu pastor, pois ele é meu pai.” São questões que intrigam a mente de muitos filhos de pastores. Por uma confusão de papéis dentro de casa e também a precariedade no devido cuidado nesse pastoreio, muitos filhos de pastores hoje andam confusos, sem saber o que são na verdade.
“Eles (os filhos de pastores) são constantemente observados. Por onde passam são acompanhados, muitas vezes, por olhares desconfiados que os seguem percebendo cada detalhe, cada gesto, o modo pelo qual estão vestidos, como falam e se comportam. Estamos falando sobre nada mais nada menos, do que os filhos de pastores. Um “título” que para muitos parece fácil de levar, mas, que às vezes, pode ser tornar um peso trazendo grandes conflitos.”[1]
Isso acaba por complicar uma definição mais exata da identidade do filho na igreja. É sempre tido como um exemplo, sabendo que se falhar será punido severamente principalmente pela opinião dos irmãos, que ao invés de agirem com misericórdia e o abraçarem, preferem julgá-los e culpá-los, mas quando fazem aquilo que é o correto, raramente são reconhecidos por isso e muitas vezes chegam a ouvir que não fizeram mais do que a sua obrigação. Todos sabem quem eles são, todos tem uma expectativa formada a respeito do que deveriam ser, mas quantos de fato conhecem o filho de pastor no meio da igreja?
O problema não se restringe só ao âmbito eclesiástico. “Na igreja tinha que ser o mais santo, pro mundo deveria ser o menos diferente possível, Diante de Deus deveria ser o padrão para o povo do mundo, a esta altura eu mesmo já nem sabia quem queria ser, sabia que queria ser livre, queria sumir, ser eu mesmo. MAS QUEM EU ERA?[1]
E quantos filhos de pastores que, recebendo um chamado único de Deus para abraçarem o ministério, se recusam a aceitá-lo simplesmente porque não querem ter que passar pelas mesmas situações que já viram seus pais passando? Em momentos de crise, geralmente nao são as lembrança negativas que nos vem a mente?
Esses fatores chegam até mesmo a colocar em risco a identidade do filho de pastor em relação a Deus. Muitos não têm a certeza da sua salvação, outros têm por acreditarem que estando envolvidos no ministério de seus pais, isso já lhes garante um lugar privilegiado no céu. Vários outros tem até mesmo dificuldade em entender o que é evangelho, no meio de tantas cobranças que ele como indivíduo tem recebido.
Essa solidão em meio a multidões, essas indefinições a respeito de identidade, do que faz com que ele realmente se sinta bem, do que representam para o próprio Deus, de qual é o seu papel na família, de qual o seu papel no ministério são situações que por vezes muitos irmãos que não estão diretamente ligados ao ministério pastoral não conseguem perceber, mas eles existem e tem afetado a vida de muitos jovens e adolescentes filhos de pastores.
Pelos fatores apresentados acima, não há como negar que precisamos voltar os nossos olhos para a edificação dessa parte do Corpo de Cristo, que tem parcela essencial no desenvolvimento do ministério pastoral, seja ele em que lugar for.
Sendo assim, propomos um acampamento, onde refletir, debater, compreender e entender a identidade de um filho de pastor, que antes de tudo deve ter a identidade do caráter de Cristo.
[1] https://www.boasnovas.tv/programas/antenados/index.php?option=com_content&task=view&id=117&Itemid=26
[2] Pr. Cris – FDH – extraído de https://fuinoefipa.blogspot.com/, no dia 23 de setembro de 2010